terça-feira, 28 de junho de 2011

Marfer


Grande Feira do Disco era uma discoteca muito especial. Era um misto de pimba (como agora se diz) e de discos de referência (como agora também se diz).

Mas não se limitava à edição nacional. Possuía a sua própria etiqueta - Marfer - e representava e importava muitas outras.

Foi criada em 1960 por José Barata, irmão do Barata da Avenida de Roma (Lisboa), onde a malta encontrava os livros, as revistas e até os discos proibidos. O Barata tinha-os sempre escondidos debaixo do balcão à espera do cliente certo.

(Acho que este é um pormenor pouco conhecido, o da Grande Feira do Disco ser Barata).

Por isso, também a Grande Feira do Disco sabia o que fazia, tornando-se no entanto muito mais abrangente (também é um termo de agora) para atingir todo o tipo de públicos.

Tinha lojas no Porto, Coimbra, Viseu, Alcobaça e Cascais. Em Lisboa, ficava na Rua do Forno do Tijolo, 25-C.

Vejam lá a quantidade de etiquetas que a Grande Feira do Disco representava. OK, a grande maioria tinha um catálogo duvidoso, para não dizer medíocre (do meu ponto de vista): Vergara, Musidisc, Visadisc, Alma, Marbella, Phttp://www.blogger.com/img/blank.gifercola, Bel Air, Kapp, Metro, Discophon, Vega, Time, Ekipo, RGE, Custon, Monitor, Liberty, Atlantic, Clarion, Panorama, Request, Universe, Vox, Blue Ribbon, Forum, Ricordi, Cetra, Pye, Berta, Golpix, Halo, Seeco, International e Alegria.

E agora vejam lá a lista de artistas que gravavam para a Marfer. Só cito os mais conhecidos (ou os que eu conheço), já que ele é numerosa:

Artur Garcia, Ada de Castro, Celeste Rodrigues, Manuel de Almeida, Maria José Valério, Deolinda Rodrigues, Moniz Trindade, Argentina Santos, Tristão da Silva Jr., Daniel Bacelar, Claves, Fernando Maurício e Victor Gomes.

LT
http://guedelhudos.blogspot.com/2007/10/grande-feira-do-disco-era-barata.html

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Tecla

Fundador da editora Tecla e Jorsom, Jorge Costa Pinto fez em Londres cursos de captação de som, corte de acetatos, galvanoplastia e prensagem. Tem no currículo de engenheiro de som dezenas de gravações.

A - Edita os seus próprios discos?

JCP - No rescaldo da Tecla, criei a Jorsom onde edito coisas minhas, música clássica portuguesa e bandas militares portuguesas. Gravo obras de grandes compositores portugueses que nunca ninguém gravou. Tenho esta mania de preservar as nossas coisas.

A - E o que aconteceu ao espólio da sua editora Tecla?

JCP - Vendi-o Tinha obras importantes de grandes autores. Comecei em 1967, com um disco do João Maria Tudela e outro da Florbela Queiroz. Depois editei a Madalena Iglésias, numa altura em que trabalhava como arranjador para outras editoras. Foi então que fiz os arranjos de um disco para a Philips, com o Carlos do Carmo. Foi o 'Por Morrer uma Andorinha'. Depois ele veio para a Tecla e gravámos 'Gaivota' que ganhou logo um prémio. Seguiu-se o 'Canoas do Tejo'. Na Tecla também gravámos a 'Pedra Filosofal' do Manuel Freire e a 'Tourada' do Fernando Tordo. O Ramiro Valadão não queria nem por nada que a canção fosse ao festival da RTP, mas eu impus a presença do Tordo.

A - Como acabou a Tecla?

JCP - Eu acreditei 100% no 25 de Abril e como era 100% socialista decidi fazer uma fábrica de discos, para não ficarmos nas mãos das multinacionais. Montei a fábrica em Rio de Mouro, em pleno Verão Quente de 1975. Estava tudo a correr bem e em 1976 meti um director comercial na empresa e fui fazer trabalhos para a África do Sul. Quando regressei estava tudo destruído. Paguei as dívidas e acabou-se. Vendi todo o repertório da Tecla.

A - Agora qual é a sua principal actividade?

JCP - Os discos da Jorsom não são comerciais, por isso tenho de trabalhar mais que nunca. Trabalho sobretudo como orquestrador e arranjador e tenho trabalhado com coros amadores. A convite de Joaquim Luís Gomes estou a dirigir a Orquestra Típica Scalabitana. Reorganizei a minha orquestra de jazz e lá vamos indo.

Entrevista Revista Autores (Abril/Junho 2004)

JORSOM

Empresa dedicada à divulgação musical possuindo um estúdio de gravação. Esta empresa tem à sua frente o reputado maestro Jorge Costa Pinto, reconhecido profissional dentro e fora de Portugal. A Jorsom dedica-se também à venda de pianos Baldwin, partituras musicais, CDs Audio, software e livros musicais (entre outros). Consulte o nosso site para obter mais informações.

http://www.jorsom.com.pt

Jorsom Audio Visual, Lda.

Actividades de Gravação de Som e Edição de Música

Concelho: Lisboa
Início de Actividade: 1976

domingo, 5 de junho de 2011

Strauss

Strauss ressuscita fundo de catálogo Sassetti

Setecentas fitas «masters», cerca de dez mil títulos, mais uns quantos milhares de partituras impressas. Uma inteira história da música, sobretudo da portuguesa, que estava votada ao pó nos arquivos da Sassetti. Não está mais, porque a Strauss comprou tudo e propõe-se fazer a campanha de reedições mais cuidada de sempre em Portugal. A Strauss comprou, em 1991, o catálogo Sassetti. Seria uma transacção comercial normal, não fora este «pormenor»: a casa Sassetti existia desde 1848 e por lá passaram alguns dos maiores artistas portugueses dos últimos 150 anos.

É um património musical de valor inestimável, uma inteira fatia da história da cultura portuguesa. Mas a Sassetti foi também uma das empresas vítimas do 25 de Abril, altura em que entrou em regime de autogestão que conduziria ao seu colapso comercial. Alguns artistas, como Sérgio Godinho, Fausto e José Mário Branco tomaram depois a iniciativa de recuperar o material que haviam gravado para essa produtora, tendo em vista a sua reedição em CD. Foram, todavia, iniciativas pontuais e o grosso do riquíssimo património da Sassetti ficou bastante votado ao esquecimento ao longo de toda a década de 80.

A Strauss acabou por comprá-lo por uma cifra que o seu sócio-gerente, Armando Martins, não quer quantificar, quando o negócio foi feito segundo um complexo arranjo de passivos e activos. Armando Martins nem sequer sabia ao certo o que estava a comprar e ficou bastante surpreendido quando foi informado de que, para além das fitas gravadas, era também proprietário de um dos maiores, talvez o maior, espólio de música impressa de Portugal. Agora estas pilhas de partituras, algumas das quais estiveram para ser queimadas à falta de lugar para as guardar, irão voltar a ver a luz do dia, estando prevista a abertura de espaços apropriados à sua venda, nas lojas Strauss.

A disponibilidade do espaço de venda é, de resto, uma das grandes razões que levou Armando Martins a adquirir a herança Sassetti.

Profissional do ramo há 25 anos, tem hoje uma cadeia de lojas de produto acabado, conferindo-lhe ramos de canalização e a possibilidade de relançar um catálogo que estava quase condenado. Quando comprou, no entanto, foi com outras preocupações que a do lucro imediato. De algum modo, o que ele queria era ter aquilo, e até comentou que não se importava de o levar para a tumba. Claro que a ideia não era bem essa, mas que para reeditar mal era preferível não reeditar.

A sua preocupação passou então a ser a de encontrar o homem certo para o trabalho, alguém com suficiente conhecimento e o gosto pelo catálogo Sassetti para o fazer devidamente ressuscitar. Os seus contactos levaram-no então até Hermenegildo Gomes, profissional de rádio há 31 anos, actualmente aos microfones da RDP. Hermenegildo era, para usar as suas próprias palavras, um dos eleitos da Sassetti, uma visita obrigatória sempre que um disco se lançava nessa companhia, mesmo depois do 25 de Abril. Está agora e de há um ano a esta parte a retrabalhar o seu património, secundado pelo músico Carlos Dâmaso, sobre quem recai a tarefa de recuperação e reprocessamento digital das fitas. Têm muito trabalho pela frente. Não será tudo para relançar em CD, mas, segundo estima Armando Martins, o catálogo Sassetti inclui qualquer coisa como 700 fitas «masters», totalizando cerca de dez mil títulos.

A filosofia dos relançamentos em CD, já posta em prática nos títulos lançados de Manuel Freire e José Afonso, é que os discos venham acompanhados de notas biográficas e de contextualização histórica dos registos originais. É uma excepção à regra das reedições geralmente descuidadas que domina o mercado da nossa nostalgia, como não é menos inusitado o princípio de contactar os artistas que rubricaram essas gravações, antes de transpor para CD. Como se sabe, a maior parte dos contratos estabelecidos entre os artistas e as produtoras fonográficas em Portugal, sobretudo antes dos meados dos anos 80, não previam a hipótese da sua renegociação em caso de reedição. Daí decorre que, na maior parte dos casos, os artistas em causa, sendo só intérpretes, ou não auferindo de direitos de autor, vêem hoje os seus trabalhos reeditados sem receberem por isso qualquer contrapartida monetária. Como nos confiou Hermenegildo Gomes, se certos artistas Sassetti recebessem segundo a tabela de antigamente, teriam hoje direito a qualquer coisa como 19 escudos por reedição. Daí a estratégia da Strauss de renegociar com os artistas, propondo nomeadamente a actual regravação de temas antigos e a sua inclusão nas reedições deste últimos, como já aconteceu com Manuel Freire e «Pedra Filosofal». Outra táctica consiste em estabelecer novos contratos com artistas que fizeram carreira na Sassetti para o efeito de lançamentos de discos de inéditos, e é assim que esta semana surge na Strauss «Cantos D'Antiga Idade», de Pedro Barroso.

Luís Maio, PUBLICO, 15/02/1994


A Strauss detinha o catálogo das extintas Sassetti e Zip-Zip. Em 2003 foi adquirida pela CNM.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Sassetti

TV- Disco falado Uma redacção muito especial

Tudo mudara, de repente, e nós com tanta coisa para gravar, para dizer, e sem antena para o divulgar. Para ser mais rigoroso: sem atinar ainda com a forma como nos haveríamos de situar na ordem radiofónica emergente. Só assim se poderá entender, à distância de 20 anos, como foi possível esta bizarra opção por nos organizarmos em mini-redacção com a tarefa de registar em disco algumas das transformações que a revolta do Movimento dos Capitães anunciava. O lógico seria, naturalmente, mergulhar no afã jornalístico das novas redacções, libertas enfim do olhar prévio dos censores governamentais, e para elas canalizar todas as reportagens efectuadas. Foi isso que começámos por fazer, naquele início de Verão de 1974. Num ápice, porém, a Emissora Nacional, estação oficial desde 1935, passou de porta-voz do regime de Salazar e Caetano para porta-voz dos militares e de comunistas e socialistas, as duas grandes forças que de imediato se posicionaram nos lugares-chave da empresa. No Rádio Clube Português (RCP) -- transformado por exigência do plano de operações de Otelo Saraiva de Carvalho e companheiros no «Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas» --, eram os militares e a Assembleia Geral de Trabalhadores quem definia as prioridades. Enquanto isto, na Rádio Renascença -- o espaço jornalístico radiofónico mais «liberal» no período marcelista mas onde a montagem das nove horas de gravação dos acontecimentos militares do dia 25 de Abril só pôde passar dois dias depois -- multiplicavam-se os confrontos entre administração e trabalhadores e destes entre si. Compreende-se, num tal panorama político-profissional, que as três emissoras tenham virado a sua atenção, quase em exclusivo, para o terreno institucional e para a cobertura exaustiva de plenários, ocupações, conferências de imprensa, e que esse facto as levasse a distraírem-se demasiado com o lado «événementiel» (e portanto conjuntural apenas), do que se passava no continente e nas colónias.

Juntemos a estas vicissitudes próprias do pós-25 de Abril a existência, na Sassetti, de uma prestigiada colecção de Disco Falado em cujo catálogo figuravam não apenas os inevitáveis discos de poesia, como também gravações de textos em prosa e, até, de uma mesa-redonda -- eis as razões pelas quais um pequeno grupo de homens da rádio resolveu dedicar-se, em paralelo à sua actividade profissional, a um trabalho de registo, em vinil, do «Diário da Revolução».

Adelino Gomes, Público, 15/02/1994

Não surgiram no local outros meios de captação de som até ao final da tarde, o que me proporcionou o privilégio de ter podido obter sete horas de documentos sonoros da Revolução doa Cravos, que mais tarde montei num condensado de cerca de duas e meia que cedi à Rádio Renascença para difusão na noite de 26 e madrugada de 27, sob a condição de nada ser alterado, truncado ou eliminado - o que a RR respeitou.

Durante essa transmissão, fui contactado telefonicamente pelo Dr. Alberto Ferreira, director da Divisão do Disco Falado da editora Sassetti, que me propôs a edição da reportagem em disco documental. Pus-lhe as mesmas condições a que obrigara a Rádio Renascença, que aceitou e respeitou também, constituindo a montagem final que fiz sobre os acontecimentos aquilo que entendi estar deontologicamente correcto e respeitar a verdade.

Assim nasceu o disco "O dia 25 de Abril - Diário da Revolução 1974", cujo direito de edição cedi à Sassetti para uma tiragem de 2.500 exemplares, por acordo a chegarem a público com um preço inferior a 180$00, de modo a que fossem acessíveis a todas as camadas de público.

Este é um dos trabalhos de que mais me orgulho de toda a minha carreira como jornalista, sinto-me feliz por poder ter estado no centro dos acontecimentos em data tão significativa, ter encontrado as parcerias que tanto valorizaram o trabalho e ter podido garantir ao património histórico do país um relato dos acontecimentos vivido no local e no momento em que
aconteceram.

Pedro Laranjeira

Entrevistas a nomes como Vasco Santana, Jaime Cortesão, José Gomes Ferreira,

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Livro de Paul Vernon

TEM a pose fadista de Argentina Santos na capa, um título amplo - mas não totalitário - e uma breve introdução à História de Portugal, não de todo isenta de alguns erros de cronologia. É o novo livro do britânico Paul Vernon, que também já publicou Ethnic and Vernacular Music, 1898-1960 (Greenwood Press, 1996) e o pequeno opúsculo Lines that Rhyme with Everyday Life (Minerva Press, Outubro de 1998).

Representa, para o autor, o culminar de uma longa paixão de dez anos, iniciada pela descoberta - em 1987, numa loja de discos em segunda mão de San Francisco - de uma colecção de discos de 78 rotações cujos sons o deixaram particularmente excitado. Era o fado.

Embora Vernon adiante que as suas conclusões sobre a matéria são aqui oferecidas «não como a palavra última e definitiva sobre este assunto mas antes como o relatório intermédio de um trabalho ainda em desenvolvimento e a introdução a um mundo que, espero eu, fascinará os leitores tanto como me fascinou a mim», à primeira vista parece ressaltar como evidência que esta «história do fado» é obra de um amador, senão de um curioso. Está recheada de lugares-comuns, das obrigatórias citações de Rodney Gallop (já que se parte do princípio de que «a Lisboa que Gallop encontrou em 1931 era essencialmente a mesma que Maria Severa conhecera um século antes») e de outros britânicos em percurso alfacinha. Os dois capítulos iniciais (respectivamente dedicados às «Origens» e aos «Instrumentos») são súmulas tão sumárias que se tornam confrangedoras - em especial porque, quando comparados com o volume de fontes e de documentos citados na bibliografia, permitem alimentar a suspeita de que o autor terá naufragado, sem bússola, nesse imenso oceano de informação e de que só a muito custo nós próprios conseguiremos sobreviver aos quatro capítulos seguintes (sobre «Lisboa», «Porto e Coimbra», «A Indústria Fonográfica» e «A Diáspora»).

Mas, entre a evocação da saudade, dos poetas-fadistas, de Pessoa e de outros vultos desaparecidos (como Adelina Fernandes, Armandinho, Estêvão Amarante, Artur Paredes, António Menano e, claro, Amália Rodrigues), o autor consegue sair de forma relativamente airosa desta refrega. Em boa parte isso deve-se às suas anotações sobre o aparecimento e a implantação da indústria discográfica em Portugal, conseguidas pelo recurso à consulta dos arquivos de correspondência da companhia His Master's Voice (antepassada da actual EMI). Surge assim um quadro assaz interessante da competição industrial (primeiro entre a Odeon inglesa e a Pathé francesa) que norteou a produção fonográfica europeia durante as primeiras décadas do século e do modo como ela comandou a selecção, produção e edição dos novos artistas e repertórios: «Os anos entre 1904 e 1925 foram um período de particular abertura e liberdade para a indústria portuguesa de discos. Os artistas ganhavam alguns escudos por cada lado gravado, nunca lhes sendo oferecidos contratos de edição com percentagem de 'royalties'.»

Referem-se também as primeiras evidências de pirataria, como no caso dos discos Chiadofone, que eram na realidade discos prensados por outras companhias mas com um novo logotipo colado sobre o rótulo original. Perante esta situação, «a companhia francesa Simplex integrou um dispositivo antipirataria no início de cada disco. Uma voz masculina gritava 'Discos Simplex!' antes do início da música, para que não restassem dúvidas sobre a origem da gravação». Esta e outras curiosidades, como a guerra comercial entre empresas de Lisboa e do Porto pela concessão em exclusivo da distribuição de discos e grafonolas britânicos em todo o território nacional - e mesmo cópias de alguns contratos -, constituem de facto o melhor desta obra e a primeira razão para a sua consulta.

Uma segunda razão é o CD oferecido, que contém uma compilação de 24 fados registados entre 1911 e 1944, incluindo raridades como um instrumental do célebre guitarrista Armandinho (1929); Adelina Fernandes (a cantora mais bem paga do seu tempo) interpretando «Fado Penim» (1928); dois temas de José Joaquim Cavalheiro e Carlos Leal, fadistas do Porto; diversas gravações coimbrãs pelas vozes de António Batoque, Edmundo de Bettencourt, António Menano e Paradela de Oliveira ou com a inconfundível guitarra de Artur Paredes; e mesmo duas gravações de fado produzidas no Rio de Janeiro em 1933/34.

Apesar de tudo isto, o preço da obra (12.000$00) é exagerado, em especial se pensarmos que a sua produção foi apoiada financeiramente pelo Ministério da Cultura e pela Associação Luso-Britânica Portugal 600.

JORGE P. PIRES, Expresso, 1999

terça-feira, 19 de abril de 2011

BMG


A RCA, que em Portugal é reresentada pela Polygram, aguarda brevemente a chegada do grupo Ariola conforme acordo internacional celebrado no ano passado entre a RCA e a Ariola.

Assim a Ariola deixará a sua actual casa em Portugal, a Dacapo, passando para a RCA/Polygram.

Blitz, 04/02/1986

BMG (Bertelsmann Music Group) foi uma das seis divisões da empresa alemã Bertelsmann, formada em 1987 para englobar as actividades relacionadas às gravações musicais da empresa

wikipedia

A BMG Ariola Portugal iniciou as suas actividades em 1989. No ano seguinte convidaram Tozé Brito para Director da empresa. Obtiveram grande sucesso com nomes como Delfins, Sitiados, Resistência, UHF, Santos & Pecadores, etc...

Tozé Brito deixou a empresa oito anos depois quando lhe exigiam a liderança do mercado. Após a sua saída a empresa decresceu bastante acabando por dispensar a maior parte dos artistas contratados.

A BMG acabou por ser incorporada na Sony.

noticia de 1998

A agenda BMG para a segunda metade de 98 promete prioridade absoluta ao catálogo nacional. Depois de, ao longo do primeiro semestre ter lançado álbuns de Flak (a estreia a solo do guitarrista dos Rádio Macau), Fernando Cunha (também num primeiro disco a solo, o guitarrista dos Delfins), Luís Represas (o primeiro álbum para a editora do ex-Trovante), Delfins (numa compilação com versões em castelhano) e Ovelha Negra (disco do novo projecto de Paulo Pedro Gonçalves), a BMG tem agendada para a segunda metade de 98 um total de 11 propostas em português.

Ainda este mês será lançado o primeiro disco dos Tsé Tsé, um novo projecto na área da pop. Igualmente perto está o álbum de estreia de Jorge Rocha (sem as Lipstick) para a BMG. "Uma primeira experiência da companhia nesta área", disse ao DN Tozé Brito, não escondendo alguma expectativa sobre este lançamento em concreto.

Em Julho será a vez de uma outra estreia, a das Baby, nas palavras de Tozé Brito, "uma versão actualizada das Doce, que não são pimba"... Também em Julho, será lançado o segundo álbum dos portuenses DR Sax. Um dos discos mais aguardados neste cardápio dadas as interessantes pistas de 0670. Os Caravana, projecto pop do guitarrista que acompanha os Delfins em palco, terão direito a estreia antes da pausa de Agosto.

Depois das férias, em Setembro, serão editados discos dos Entre Aspas (o quarto álbum de originais do grupo, a ser produzido por Flak), de Gil do Carmo e um disco de baladas de Adelaide Ferreira que inclui um dueto com Dulce Pontes (Papel Principal).

Um novo álbum dos Santos e Pecadores constitui o programa das festas de Outubro. E, em Novembro, será finalmente editado o álbum a solo de Miguel Ângelo, vocalista dos Delfins. Disco forçado a sucessivos adiamentos desde 1995, será totalmente regravado, já que todas as fitas nas quais em tempos Miguel Ângelo trabalhou serão arquivadas. Em dúvida está, segundo confidenciou Tozé Brito, a própria inclusão da cover de E depois do Adeus no alinhamento do disco. O ano fecha com chave de ouro, em Dezembro, com o álbum que assinalará a reunião dos Rádio Macau.

Dn, 24/06/1998

noticia de 2004

O director de marketing da BMG, Nuno Robles, é dos mais confiantes em relação aos próximos tempos: "A música vai sempre existir e vamos adaptar-nos ao mercado. Temos de lutar. O futuro não é deprimente, é um desafio, não é nenhum poço." A BMG, diz, não despediu ninguém nos últimos meses, porque previu o que vinha aí - "Fizemos uma reestruturação há três anos, pelo que a crise está a afectar-nos um pouco menos". O que chama uma "estrutura mais saudável" é mantida por 10 pessoas (eram 20). Com uma quota de 6 por cento, a BMG espera um "maior dinamismo no mercado com os festivais Rock In Rio-Lisboa e Super Bock Super Rock".

JOSÉ J. MATEUS / Público, 02/05/2004

B. M. G. Ariola - Actividades Audiovisuais, Lda.
Discos de Música - Editores
Jardim Malmequeres, 9 - Pontinha
1675-000 Pontinha Lisboa

http://www.nossoportugal.com/empresa-52404/b-m-g-ariola-actividades-audiovisuais-lda.html

segunda-feira, 18 de abril de 2011

CBS

Multinaciona discográfica CBS vai instalar sucursal em Lisboa

A companhia norte-americana CBS, uma das maiores empresas discográficas do mundo, projecta instalar uma sucursal em Lisboa em meados do ano - soube ontem a ANOP de fonte do sector.

Até há meses esta firma com sede em Nova Iorque esteve representada pela Rádio Triunfo, de capitais portugueses, mas uma falta de entendimento entre as duas partes fez com que não fosse renovado um contrato celebrado há muitos anos.

A «CBS Records» é uma divisão do grupo Columbia Broadcasting System que também possui a segunda maior cadeia de televisão dos Estados Unidos e interesses nas indústrias do cinema e rádio e de material de som e imagem.

CBS, Columbia e Epic são as suas marcas principais, além de distribuir produções alheias como as do grupo STAX, de Memphis, e do seu catálogo fazem parte algumas das maiores estrelas dá música popular, de Bob Oylan e dos Simon and Garfunkel a grupos da nova geração.

Em 1975 possuía 25 filiais no estrangeiro e representações em 17 países.

Segundo fontes de sector o seu volume de negócios no mercado discográfico português atingia há um ano cerca de 1500 contos por mês, importância que poderá ser significativamente aumentada se a sua sucursal adoptar uma gestão de catálogo mais agressiva que a sua antiga representante.

A Rádio Triunfo, ligada aos estabelecimentos Melodia e à Rádio Renascença, foi comprada em 1979 aos herdeiros de Rogério Costa leal, o nortenho seu administrador de dezenas de anos, por um empresário que também possui a Movieplay e interesses no ramo das cassetes.

A firma portuguesa, apesar de ter perdido a CBS, continuará a trabalhar com outro importante grupo discográfico norte-americano, designado internacionalmente por WEA, as inciais daquelas que são com a Reprise as principais etiquetas: Warner, Elektra e Atlantic.

A CBS será a segunda multinacional do sector a instalar-se directamente em Portugal, depois da Polygram, do grupo Philips (a Valentim de Carvalho também tem ligações profundas a um grupo sediado em Londres - a EMI),

A CBS poderá desta forma resolver um problema até agora sem solução - o da aplicação das verbas de «copyright» (direitos de edição) cuja transferência não é, a partir de certa percentagem, autorizada pelo Banco de Portugal.

Diário de Lisboa, 07/01/1981

A CBS instalou-se em Portugal no início da década de 80.

Em Portugal, editou discos de Lena d'Água, Dulce Pontes, Ana Faria e Paulo Gonzo, entre outros. Actualmente aposta em novos grupos como os Adiafa, assim como relançou Paulo Gonzo e criou parcerias externas para, na senda do sucesso outrora alcançado, continuar a dedicar alguma atenção à música portuguesa.

Originalmente chamado CBS Records, foi fundado em 1898, e comprado pela japonesa Sony em 1988. É um dos quatro maiores conglomerados de gravadoras do mundo junto com a Universal Music Group, EMI e Warner Music Group, sendo atualmente a segunda maior.

Em 2004 a Sony Music fundiu-se com a gravadora BMG criando a Sony BMG Music Entertainment. Em 2007, a Sony comprou a parte que cabia ao grupo Bertelsmann, e acabou com o conglomerado voltando ao nome "Sony Music".

Wikipedia

Quando, em finais dos anos 80, chegou a integrar as brigadas da GNR e andou pelas feiras do País inteiro atrás da cassete pirata a ajudar as autoridades a distinguir as verdadeiras das falsas, João Afonso, à data funcionário da famosíssima CBS (Bob Dylan e Cheap Trick, entre outros) – em Portugal representada pela Rádio Triunfo –, ainda estava longe de adivinhar que a pirataria pudesse vir a ser responsável por uma crise tão grave na indústria.

Há dois anos, João Afonso foi convidado a rescindir com a Sony Music, sucessora da CBS. A companhia que se fundiu com a BMG despediu 15 pessoas em 2004, mais dez no início de 2005 e fechou, entretanto, o seu armazém em Portugal. João Afonso que desempenhava o cargo de director de marketing estratégico para as compilações jazz e world music foi apanhado na onda.

http://www.myspace.com/oksav/stream

Sony Music Entertainment Portugal, Sociedade Unipessoal, Lda
Rua Prof Jorge da Silva Horta, Nº 1, 2º
1500-499 LISBOA

http://www.sonybmg.pt

NIF 501994963
CAE 18200

Início de Actividade: 1988
Actividade - Reprodução de Suportes Gravados

http://www.linkb2b.pt/empresas/sony-music-entertainment-501994963.php