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terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Ibéria, a primeira fábrica nacional de microgravação de discos de vinil


Maior fábrica de discos de vinil do país funcionou em Vila Franca de Xira

A Ibéria do empresário Manuel Simões chegou a empregar meia centena de trabalhadores.

Alfredo Marceneiro, Berta Cardoso, Tristão da Silva ou Anita Guerreiro são alguns dos nomes grandes do fado nacional cujas vozes foram gravadas e imortalizadas em discos de vinil produzidos em Vila Franca de Xira.

Foi naquela cidade ribatejana que em 1950, nasceu a Ibéria, a primeira fábrica nacional de microgravação de discos de vinil (LP), um facto histórico do qual resta muito pouca memória ou registo. O investimento foi feito pelo empresário Manuel Simões (1917-2008), natural de Pedrógão Grande e um dos primeiros editores discográficos portugueses.

O pedido de construção entregue na câmara municipal data de 1952 mas, como continua a acontecer nos dias de hoje com diversas obras, a licença de ocupação só lhe seria concedida em 1958, já a fábrica laborava a todo o vapor há vários anos.

Até então, a maioria dos discos em circulação no mercado era produzida no Porto e no estrangeiro. O objectivo era acabar com essa hegemonia no mercado e ao mesmo tempo dar oportunidade a músicos desconhecidos de mostrarem o seu valor gravando as suas peças, sobretudo fado, para nichos de mercado.

A fábrica laborou na avenida particular da actual Rua Alves Redol, à data chamada Rua Palha Blanco, de acordo com registos enviados a O MIRANTE pela Fundação Manuel Simões, que preserva algum do espólio deixado pelo empresário.

A Ibéria funcionou apenas durante uma década. Na sua fase mais activa chegou a empregar meia centena de trabalhadores num sector altamente tecnológico para a época. Acabaria por encerrar a meio da década de sessenta devido à forte concorrência da música anglo-saxónica.

Dois pisos e cabine de gravação

O espaço foi depois vendido para acolher uma metalúrgica e posteriormente funcionou como depósito operacional dos correios. Está hoje em processo de venda e na zona não há nenhuma referência a esse passado. Mas os discos prensados na cidade ribatejana ainda podem ser encontrados, com alguma sorte, nos mercados de velharias e em feiras do disco usado, com os seus rótulos “Estoril” e a informação: “Fabricados pela Ibéria em Vila Franca de Xira – Portugal”.

Hipólito Cabaço, coleccionador de vinil residente na cidade, foi um dos que se empenhou há alguns anos em tentar resgatar do passado mais informações sobre a fábrica. Da sua pesquisa no museu municipal, que partilhou com O MIRANTE, percebe-se que a mesma tinha dois pisos. A unidade de laboração ficava no rés-do-chão e albergava um depósito de pasta de vinil (a matéria-prima), sala de caldeira, prensas, fornos e depósito de matrizes (os discos de vinil são produzidos a partir de matrizes, ou discos mestres, feitos de prata e níquel). No mesmo piso funcionava também uma secretaria, um stand de vendas e o escritório do gerente.

No primeiro andar existiu um estúdio, cabine de gravação, um “foyer” para os artistas e uma sala de direcção. O segundo piso era composto por serviços de propaganda e publicidade, arquivo, gabinetes e sanitários.

Depois de ter sido quase dado como morto no princípio dos anos 90, substituído pelas capacidades digitais do disco compacto (CD) e da música em streaming, via internet, o vinil tem sentido um ressurgimento na última década, com vários artistas a lançarem as suas obras naquele formato e até editoras globais, como a Sony, a reactivarem antigas fábricas de prensagem de vinil semelhantes à que existiu em Vila Franca de Xira.

O som de um disco de vinil é obtido quando uma agulha desliza sobre microranhuras em forma de espiral existentes na superfície, da extremidade até ao centro do disco, que é girado por um motor eléctrico. Essas ranhuras fazem vibrar a agulha o que por sua vez transforma as vibrações em sinal eléctrico, possibilitando que seja amplificado e transformado em som audível.

O Mirante, 25-06-2019

Na década de 1950 inaugurou em Vila Franca de Xira a sua fábrica de discos, e será ele próprio quem prensará o primeiro disco de microgravação fabricado em Portugal, o LP Estoril 5001. O disco de fados inclui os nomes de Anita Guerreiro, Isaura Gonçalves, Tristão da Silva e Alberto Costa, acompanhados por Casimiro Ramos na guitarra portuguesa e o seu irmão, Miguel Ramos, na viola. A década de 1960, com os novos gostos musicais, veio toldar o sucesso da discográfica, que não tendo parado, levou Manuel Simões a encerrar a fábrica de discos e a abrandar a atividade como produtor discográfico. Manuel Simões dedica-se, então, praticamente em exclusivo, ao comércio de discos, na Discoteca do Carmo, atualmente desativada, que considerava "uma instituição à escala universal".

https://www.fmsimoes.com/fundador


quarta-feira, 19 de agosto de 2020

Manuel Simões

Manuel Simões foi um empresário de visão larga, audaz e atento ao mercado. Inovador, construiu a primeira fábrica nacional de discos de microgravação, em Vila Franca de Xira, a Fábrica Ibéria. Tinha já criado a discográfica Estoril, na qual contou com a direção artística e musical do maestro Belo Marques, tendo gravado, entre outros, Alfredo Marceneiro, Berta Cardoso, Maria de Lourdes Resende, Maria da Conceição, Margarida Amaral, Tristão da Silva, Argentina Santos, Mariana Silva, Anita Guerreiro e Maria José da Guia. A “sua” Discoteca do Carmo, no Chiado, em Lisboa, era um espaço das novidades internacionais que ali chegavam antecipadamente ao circuito comercial nacional, como o referiu, numa das suas crónicas radiofónicas, David Ferreira. Em 2001 constituiu a Fundação Manuel Simões que passou a ser a proprietária do espólio da Estoril Discos, tendo como objetivos, entre outros, a divulgação do Fado, canção pela qual se apaixonou quando veio viver para Lisboa, nomeadamente nos ambientes fora de portas”.

Manuel Simões nasceu a 09 de maio de 1917 em Pedrógão Grande, o ano da primeira aparição em Fátima, um facto que viria a marcar a sua vida. Na Europa grassava a I Grande Guerra na qual Portugal está diretamente envolvido, ao lado da aliada Inglaterra. Neste ano é enviado para a Bélgica o Corpo Expedicionário Português que foi praticamente dizimado pelos bombardeamentos alemães em La Lys, na região de Ypres. O período é de instabilidade política com a recém-proclamada República a viver divisões internas e as populações a enfrentarem grande dificuldades, desemprego e fome.

Em Pedrógão Grande, Manuel Simões faz a instrução primária, e em 1929, como muitos jovens da época, vem para Lisboa procurar melhores condições de vida. Encanta-se de imediato pelo bulício da cidade, a sua peculiar luz e o grande Tejo.

Manuel Simões trabalha no comércio, mas sentia vontade de saber mais, uma característica que o acompanhou toda a vida. Percebendo que tinha de ganhar mais competências, matriculou-se no curso noturno da Escola Ferreira Borges que funcionava então no Liceu Passos Manuel, nas Mercês. Neste percurso académico, António Carreira que foi seu professor de matemática, uma das suas disciplinas favoritas, exerceu uma enorme influência no jovem que, aos 17 anos, se tornou empresário, apesar da firma ter ficado em nome do pai, pois à luz da legislação coeva era menor, e teve de esperar pela emancipação aos 18 anos.

Iniciou-se então no comércio de retalho de mercearia com um estabelecimento na rua Conde Barão, e é bem sucedido. Em meados da década de 1940 abriu a Discoteca do Carmo, no Chiado, já se apaixonara pela música e o fado que escutara nos retiros fora de portas, como afirmou. Paralelamente, tomou uma mercearia noutro ponto da cidade, que se tornou conhecida por comercializar produtos vindos de Pedrógão Grande, que visitava regularmente, onde os pais continuaram a residir.

Na década de 1950 inaugurou em Vila Franca de Xira a sua fábrica de discos, e será ele próprio quem prensará o primeiro disco de microgravação fabricado em Portugal, o LP Estoril 5001. O disco de fados inclui os nomes de Anita Guerreiro, Isaura Gonçalves, Tristão da Silva e Alberto Costa, acompanhados por Casimiro Ramos na guitarra portuguesa e o seu irmão, Miguel Ramos, na viola. A década de 1960, com os novos gostos musicais, veio toldar o sucesso da discográfica, que não tendo parado, levou Manuel Simões a encerrar a fábrica de discos e a abrandar a atividade como produtor discográfico. Manuel Simões dedica-se, então, praticamente em exclusivo, ao comércio de discos, na Discoteca do Carmo, atualmente desativada, que considerava "uma instituição à escala universal".

​Voltou à produção discográfica com edições relacionadas com a sua grande paixão, o fado, na década de 1980. Entre os vários CD editados, além da digitalização de grande parte do espólio histórico da discográfica Estoril, conta-se a série “Lisboa – cidade de fado”, que publicou 16 volumes. Esta série de melodias fadistas conta com a participação dos músicos Arménio de Melo, Paulo Parreira, João Mário Veiga, José Maria Nóbrega e Joel Pina.

Manuel Simões acalentou o sonho de um Museu dedicado a Maria Teresa de Noronha, que não concretizou, mas estabeleceu em dezembro de 2001 uma Fundação com o seu nome à qual deu objetivos precisos, entre eles a divulgação do fado nas suas diferentes vertentes, não esquecendo os valores da solidariedade social, e o apoio aos novos valores.

No dia 27 de agosto de 2008, aos 91 anos, o editor discográfico faleceu em Lisboa, deixando aos vindouros a sua Fundação que, por sua expressa vontade, passou a ser presidida perpetuamente pela sua sobrinha, Rosa Amélia Piegudo.

https://www.fmsimoes.com/fundador

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Estranha Forma de Vida


O 6º episódio de "Estranha Forma de Vida - Uma História da Música Popular Portuguesa" é dedicado ao outro lado do meio musical - as editoras por trás dos discos, especialmente no período que vai de inícios dos anos 50 a inícios dos anos 80. Para nos acompanhar, contámos com os testemunhos de Arnaldo Trindade, Carlos Cruz, Carlos Portugal, Daniel de Sousa, Eugénio Pepe, Francisco Nicholson, Hugo Ribeiro, Manuel Jorge Veloso, Mário Martins, Pedro Osório e Vieira da Silva.

João Carlos Callixto

Após a introdução do LP, em 1948, a indústria discográfica assiste a uma completa transformação. A etiqueta Orfeu foi uma das pioneiras no nosso país, como nos conta neste episódio Arnaldo Trindade. Mas, nas décadas de 50 e 60, a Valentim de Carvalho e a Rádio Triunfo disputavam muitos dos nomes maiores do fado e da canção ligeira, e profissionais do meio, como Carlos Portugal, Daniel de Sousa ou Mário Martins, relembram a sua passagem por essas editoras. Já na segunda metade da década de 60, surgem independentes, nomeadamente a Riso & Ritmo (recordada por Eugénio Pepe, Francisco Nicholson e Vieira da Silva) e a Zip-Zip (de quem ouviremos Carlos Cruz), criadas após o sucesso dos programas homónimos na RTP. A histórica Sassetti lança-se também no mercado discográfico já em inícios dos anos 70, como recordam Manuel Jorge Veloso e Pedro Osório, e acaba por conquistar um lugar de relevo no panorama nacional.

Site RTP

Discos Estoril
Rádio Triunfo / Alvorada
Valentim de Carvalho
Orfeu / Arnaldo Trindade
Discos Rapsódia
Tecla
RR / FF
Marfer
Zip-Zip
Sassetti / Guilda da Música
...

terça-feira, 22 de março de 2011

Ibéria

Era uma editora espanhola, mas com um olhar significativo para o mercado português. Editou 78 rotações, por exemplo, de Tony de Matos, Maria Dulce, Milú, Margarida Amaral, Maria Adalgisa, Moniz Trindado, como é o caso do post, Francisco José, Tavares Belo, Belo Marques, José António. As capas diziam "Ibéria ao serviço do folclore português" e "a Ibéria possui também todo o folclore espanhol".

LT

A Ibéria foi representada em Portugal através de uma associação com o Sr. Manuel Simões. Esta associação, que terá tido início em 1948, dará origem aos Discos Estoril.

António

http://guedelhudos.blogspot.com/2008/10/moniz-trindade.html


Discos de Artur Ribeiro (...) e outras edições, como Tony de Matos (6), Maria Dulce (2), Milú (3), Margarida Amaral (5), Maria Adalgisa (1), Moniz Trindade (8), Francisco José (16), Maestro Tavares Belo (2), Maestro Belo Marques Belo (6) e José António (7).

http://guedelhudos.blogspot.com/2008/01/mais-catalogaes-da-msica.html