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quinta-feira, 4 de novembro de 2021

Morreu José Serafim, da editora Movieplay

José Serafim foi diretor da editora discográfica Movieplay, onde se reuniu um mais importantes catálogos da história da música portuguesa, a par da Valentim de Carvalho. Faleceu no início de setembro, confirmou à BLITZ um seu antigo colaborador

José Serafim, que foi proprietário da editora discográfica Movieplay, morreu no passado dia 3 de setembro. A informação foi confirmada à BLITZ por Frank Hessing, alemão que trabalhou com José Serafim, na Movieplay, entre 1989 e 1995.

José Serafim faria 85 anos no próximo mês de dezembro e encontrava-se a morar num lar, com a saúde fragilizada, há vários anos. "O senhor Serafim foi uma pessoa de muita visão. Criou uma organização incrível e fez muitas coisas pela cultura portuguesa", afirma Frank Hessing. "Já na altura, o grupo de empresas que criou tinha uma estrutura incrível". Era também ferrenho adepto do Sporting Clube de Portugal.

Da Movieplay faziam parte catálogos como Orfeu, que começou a ser criado por Arnaldo Trindade, Rádio Triunfo ou Alvorada entre muitos outros onde se encontram milhares de discos publicados em Portugal na segunda metade do século XX. Grande parte da obra de José Afonso, mas também algumas gravações de Amália Rodrigues, Carlos Paredes e seu pai Artur Paredes, Fausto, Sérgio Godinho, Vitorino e Dulce Pontes foram publicadas em Portugal com etiquetas que pertenceram ou vieram a pertencer à Movieplay.

O catálogo de fadistas é igualmente impressionante e nele se contam Maria Teresa Noronha, Hermínia Silva, Fernando Maurício, Celeste Rodrigues, João Braga, Carlos Zel, Fernanda Maria, Ada de Castro, Teresa Silva Carvalho, Vicente da Câmara ou António Pinto Basto. A lista é infindável se juntarmos Tony de Matos, José Cid, Quinteto de Maria João, Duo Ouro Negro, Pop Five Music Incorporated, Quim Barreiros, Rão Kyao, António Chaínho, Paulo de Carvalho, Fernando Tordo, Ronda dos Quatro Caminhos, Madalena Iglésias, Trio Odemira, Conjunto António Mafra ou Conjunto Maria Albertina. Raras gravações de escritores e portas portugueses fazem também parte deste espólio, como é o caso de Miguel Torga, José Régio, Sophia de Melo Breyner, Aquilino Ribeiro, Ferreira de Castro e Jaime Cortesão.

"Éramos um grupo de empresas que se complementava, como uma mini major. Era tudo feito de forma muito inteligente e avançada", elogia o alemão, que montou uma rede de consultaria e management, a Musiconsult. "O grupo teve a primeira e única fábrica de CD de Portugal", a que se juntavam fábricas de cassetes e de discos em vinil. Segundo a Wikipedia, a Movieplay foi uma editora fundada originalmente em Espanha, corria o ano de 1968, ainda com o nome de Sonoplay. Posteriormente foi adquirida pelo grupo belga Movierecord, tendo passado a chamar-se Movieplay. Além da Movieplay (editora discográfica), o grupo era constituídoo pela Copisom e Sonovox (fábrica de cassetes), Namouche (estúdio), Riso e Ritmo (importação de produto acabado), Euroclube (distribuição nacional) e Sonovis (fábrica de CD e serviços de fabricação de plástico), além de outras quatro empresas fora de Portugal, em países como a Holanda e o Brasil.

Importante foi também a faceta internacional da Movieplay. A edição do álbum "Onda Sonora: Red Hot and Lisbon" foi da responsabilidade da Movieplay e reuniu artistas como David Byrne, Caetano Veloso, K.D. Lang, Arto Lindsay, Durutti Column, Smoke City, Madredus, Vinícius Cantuária, Underground Sound of Lisbon, General D, Boga, Carlinhos Brown ou Marisa Monte. A compilação foi publicada em 1998 constitundo a 11º da série Red Hot, que visava angariar fundos para a luta contra a SIDA.

Vários músicos, compositores e produtores trabalharam de perto, em várias fases da sua carreira, com a Movieplay ou as marcas que posteriormente lhe ficaram associadas como foi o caso de José Niza ou José Calvário (que venceram o Festival da Canção em várias ocasiões), Carlos Cruz (promoção), Paulo Junqueiro, que hoje é presidente da Sony Music Brasil, Miguel Graça Moura, Orlando Leite (A&R, tendo assinado os Ithaka de Darin Pappas), Thilo Krassman (orquestrações), Ruben Carvalho (coleções de fado) ou Peter Cooper (que até há pouco desempenhava funções na Edel).

A Movieplay terá falido em 2012. e desde então não teve lugar qualquer exploração deste catálogo de gravações. Ainda duante a década de 90, a gestão da Movieplay foi entregue a João Serafim, filho de José Serafim.

Lia Pereira / Miguel Cadete, Blitz, 04.10.2021

 

 

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Estranha Forma de Vida


O 6º episódio de "Estranha Forma de Vida - Uma História da Música Popular Portuguesa" é dedicado ao outro lado do meio musical - as editoras por trás dos discos, especialmente no período que vai de inícios dos anos 50 a inícios dos anos 80. Para nos acompanhar, contámos com os testemunhos de Arnaldo Trindade, Carlos Cruz, Carlos Portugal, Daniel de Sousa, Eugénio Pepe, Francisco Nicholson, Hugo Ribeiro, Manuel Jorge Veloso, Mário Martins, Pedro Osório e Vieira da Silva.

João Carlos Callixto

Após a introdução do LP, em 1948, a indústria discográfica assiste a uma completa transformação. A etiqueta Orfeu foi uma das pioneiras no nosso país, como nos conta neste episódio Arnaldo Trindade. Mas, nas décadas de 50 e 60, a Valentim de Carvalho e a Rádio Triunfo disputavam muitos dos nomes maiores do fado e da canção ligeira, e profissionais do meio, como Carlos Portugal, Daniel de Sousa ou Mário Martins, relembram a sua passagem por essas editoras. Já na segunda metade da década de 60, surgem independentes, nomeadamente a Riso & Ritmo (recordada por Eugénio Pepe, Francisco Nicholson e Vieira da Silva) e a Zip-Zip (de quem ouviremos Carlos Cruz), criadas após o sucesso dos programas homónimos na RTP. A histórica Sassetti lança-se também no mercado discográfico já em inícios dos anos 70, como recordam Manuel Jorge Veloso e Pedro Osório, e acaba por conquistar um lugar de relevo no panorama nacional.

Site RTP

Discos Estoril
Rádio Triunfo / Alvorada
Valentim de Carvalho
Orfeu / Arnaldo Trindade
Discos Rapsódia
Tecla
RR / FF
Marfer
Zip-Zip
Sassetti / Guilda da Música
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segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Riso e Ritmo

A Discos RR foi formada por Armando Cortez, Francisco Nicholson e Eugénio Pepe. "Riso e Ritmo" era o nome do programa de humor na RTP de Cortez e Nicholson. Foram eles quem inaugurou a etiqueta com este EP. O segundo disco era da comédia musical "Querida Mulatinha" com Iolanda Braga e Raul Solnado, de 1966.

Mais tarde a etiqueta foi comprada pela Movieplay (1977?). Algumas das reedições de José Afonso foram lançadas por esta etiqueta.

outra informação mais recente obtida em cassete de 1991 dos Terra Viva:

"Cassete editada em 1991, Edição e Distribuição de Riso e Ritmo Discos SA, gravada nos Estúdios Riso e Ritmo Discos SA, Lisboa"

início da actividade da Movieplay Portuguesa - Discografica, S.A. : 1977