Uma sociedade comercial por quotas de responsabilidade limitada, a Discófilo-Produções Artísticas e Discográficas, Lda., foi constituída entre Antónia de Jesus Montes Tonicha (a cantora Tonicha), João Maria Viegas e José Carlos Ary dos Santos. Com sede na Rua Rodrigues Sampaio, 16-3º, em Lisboa, dedicar-se-á à edição de discos e livros, produção de espectáculos
e também [terá] funcionamento como agência artística.
«Discófilo» tem um capital social de 50 contos, integralmente realizado nos seguintes proporções: Tonicha. 35 contos. Ary. 10, e João Viegas, 5. Único gerente é João Viegas.
Revista Plateia (ver blog de fãs Tonicha)
Discófilo - editora fundada por Tonicha, pelo marido e por Ary dos Santos. Apenas existiu no ano de 1975. A quota de Ary dos Santos foi oferecida ao poeta como prenda de natal.
Lançou discos de nomes como Dalida, Tonicha, Beatriz da Conceição, Ary dos Santos e Vera Mónica. Os discos tinham distribuição da Arnaldo Trindade & Ca. Lda.
João Viegas e Tonicha venderam depois o espólio à Orfeu/Arnaldo Trindade que reeditou alguns dos trabalhos.
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
Chiadofone
[No livro de Paul Vernon] Referem-se também as primeiras evidências de pirataria, como no caso dos discos Chiadofone, que eram na realidade discos prensados por outras companhias mas com um novo logotipo colado sobre o rótulo original.
Jorge P. Pires, Expresso, 02/04/1999
etiqueta portuguesa Chiadofone, que aparentemente se limitaria a colocar o seu selo em discos cujas gravações eram de outras companhias.
Tese de Paula Abreu
O selo discográfico português Chiadofone, encontrado por acaso num site russo nos idos de 2005, circulou no início do século XX e é o mote deste blog sobre música popular brasileira registrada nos chiados dos discos de 76 e 78 rpm.
http://chiadofone.blogspot.com
Jorge P. Pires, Expresso, 02/04/1999
etiqueta portuguesa Chiadofone, que aparentemente se limitaria a colocar o seu selo em discos cujas gravações eram de outras companhias.
Tese de Paula Abreu
O selo discográfico português Chiadofone, encontrado por acaso num site russo nos idos de 2005, circulou no início do século XX e é o mote deste blog sobre música popular brasileira registrada nos chiados dos discos de 76 e 78 rpm.
http://chiadofone.blogspot.com
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
CNM
A Companhia Nacional de Música funciona desde 1993 como Editora, Produtora e Distribuidora de fonogramas e videogramas musicais, sendo desde o início dirigida por Nuno Rodrigues. Como Produtora e Editora independente a funcionar no peculiar mercado português, a CNM tem sabido construir um percurso de relevo e que contribuiu mais do que uma vez para a revelação de nomes e projectos de reconhecida qualidade. Beneficiando da experiência de Nuno Rodrigues, que desde a segunda metade da década de 1970 contribuiu decisivamente para a produção e descoberta de novos talentos nacionais e durante as décadas de 1980 e 1990 representou a quase totalidade das “indie labels” neste mercado. Foi ao longo da última década e meia que a CNM passa a representar as mais prestigiadas marcas de Música Clássica, de Ópera e de Bailado: Opus Arte, Arthaus, Euroarts, Naxos, Wigmore, Soli Deo Gloria, Christopher Nupen Films, Capriccio, BR Klassik, TDK, entre outras, verdadeiras referências para qualquer companhia no Mundo.
Com a aquisição da editora Strauss, em 2003, que detinha já o catálogo das extintas Sassetti e Zip-Zip, a CNM veio assim enriquecer de forma substancial o seu catálogo, passando a representar a quase totalidade da obra de Júlio Pereira e trabalhos da Banda do Casaco, de Fernando Tordo, de Luís Cília e de Né Ladeiras, além de muitos outros nomes fundamentais da música portuguesa. Recentemente, organizou edições especiais da obra de Fernando Lopes-Graça, Barata Moura e José Afonso. Também o fado tem sido tratado de forma especial na CNM, que ajudou à consagração de Joana Amendoeira, Ricardo Ribeiro e tantos outros.
No que respeita ao Domínio Público, a CNM foi a primeira companhia a registar a propriedade de obras gravadas das quais se destaca um significativo número de obras de Amália Rodrigues e a prosseguir essa política editorial, com nomes fundamentais quer do nosso património quer dos mais representativos de outras culturas. Nomes como João Gilberto, Jacques Brel, Miles Davis e tantos outros.
A CNM para além de Produtora é Editora e possui no seu significativo catálogo de Publishing, alguns dos mais importantes temas da nossa música, como por exemplo: “ Nem às Paredes Confesso”, “ Foi Deus”, “ Teus Olhos Castanhos” e obras de Freitas Branco.
ecentemente iniciaram a edição de partituras e de alguns manuais oficialmente adoptados como a “Teoria Musical” e “Solfejos de Artur Fão”.
Em Dezembro de 2010, a CNM começou a reeditar os “ Livros que se ouvem”. Não poderia ter iniciado a Colecção de melhor maneira: Fernando Pessoa por João Villaret e Mário Viegas e Jorge de Sena pelo próprio.
http://www.cnmusica.com/pt/editora.aspx
A loja fica na Rua Nova do Almada, em Lisboa.
("Sucedeu à Sassetti e à Strauss, de que herdou a partir de 2003 aquele espaço e espólio de gravações de música portuguesa e de fado" - Discotecas e Lojas de música da Baixa e do Chiado)
Cnm - Companhia Nacional de Música, S.A.
Actividades de Gravação de Som e Edição de Música
Concelho: Lisboa
Início de Actividade: 1993
Com a aquisição da editora Strauss, em 2003, que detinha já o catálogo das extintas Sassetti e Zip-Zip, a CNM veio assim enriquecer de forma substancial o seu catálogo, passando a representar a quase totalidade da obra de Júlio Pereira e trabalhos da Banda do Casaco, de Fernando Tordo, de Luís Cília e de Né Ladeiras, além de muitos outros nomes fundamentais da música portuguesa. Recentemente, organizou edições especiais da obra de Fernando Lopes-Graça, Barata Moura e José Afonso. Também o fado tem sido tratado de forma especial na CNM, que ajudou à consagração de Joana Amendoeira, Ricardo Ribeiro e tantos outros.
No que respeita ao Domínio Público, a CNM foi a primeira companhia a registar a propriedade de obras gravadas das quais se destaca um significativo número de obras de Amália Rodrigues e a prosseguir essa política editorial, com nomes fundamentais quer do nosso património quer dos mais representativos de outras culturas. Nomes como João Gilberto, Jacques Brel, Miles Davis e tantos outros.
A CNM para além de Produtora é Editora e possui no seu significativo catálogo de Publishing, alguns dos mais importantes temas da nossa música, como por exemplo: “ Nem às Paredes Confesso”, “ Foi Deus”, “ Teus Olhos Castanhos” e obras de Freitas Branco.
ecentemente iniciaram a edição de partituras e de alguns manuais oficialmente adoptados como a “Teoria Musical” e “Solfejos de Artur Fão”.
Em Dezembro de 2010, a CNM começou a reeditar os “ Livros que se ouvem”. Não poderia ter iniciado a Colecção de melhor maneira: Fernando Pessoa por João Villaret e Mário Viegas e Jorge de Sena pelo próprio.
http://www.cnmusica.com/pt/editora.aspx
A loja fica na Rua Nova do Almada, em Lisboa.
("Sucedeu à Sassetti e à Strauss, de que herdou a partir de 2003 aquele espaço e espólio de gravações de música portuguesa e de fado" - Discotecas e Lojas de música da Baixa e do Chiado)
Cnm - Companhia Nacional de Música, S.A.
Actividades de Gravação de Som e Edição de Música
Concelho: Lisboa
Início de Actividade: 1993
terça-feira, 28 de junho de 2011
Marfer
Grande Feira do Disco era uma discoteca muito especial. Era um misto de pimba (como agora se diz) e de discos de referência (como agora também se diz).
Mas não se limitava à edição nacional. Possuía a sua própria etiqueta - Marfer - e representava e importava muitas outras.
Foi criada em 1960 por José Barata, irmão do Barata da Avenida de Roma (Lisboa), onde a malta encontrava os livros, as revistas e até os discos proibidos. O Barata tinha-os sempre escondidos debaixo do balcão à espera do cliente certo.
(Acho que este é um pormenor pouco conhecido, o da Grande Feira do Disco ser Barata).
Por isso, também a Grande Feira do Disco sabia o que fazia, tornando-se no entanto muito mais abrangente (também é um termo de agora) para atingir todo o tipo de públicos.
Tinha lojas no Porto, Coimbra, Viseu, Alcobaça e Cascais. Em Lisboa, ficava na Rua do Forno do Tijolo, 25-C.
Vejam lá a quantidade de etiquetas que a Grande Feira do Disco representava. OK, a grande maioria tinha um catálogo duvidoso, para não dizer medíocre (do meu ponto de vista): Vergara, Musidisc, Visadisc, Alma, Marbella, Phttp://www.blogger.com/img/blank.gifercola, Bel Air, Kapp, Metro, Discophon, Vega, Time, Ekipo, RGE, Custon, Monitor, Liberty, Atlantic, Clarion, Panorama, Request, Universe, Vox, Blue Ribbon, Forum, Ricordi, Cetra, Pye, Berta, Golpix, Halo, Seeco, International e Alegria.
E agora vejam lá a lista de artistas que gravavam para a Marfer. Só cito os mais conhecidos (ou os que eu conheço), já que ele é numerosa:
Artur Garcia, Ada de Castro, Celeste Rodrigues, Manuel de Almeida, Maria José Valério, Deolinda Rodrigues, Moniz Trindade, Argentina Santos, Tristão da Silva Jr., Daniel Bacelar, Claves, Fernando Maurício e Victor Gomes.
LT
http://guedelhudos.blogspot.com/2007/10/grande-feira-do-disco-era-barata.html
quarta-feira, 15 de junho de 2011
Tecla
Fundador da editora Tecla e Jorsom, Jorge Costa Pinto fez em Londres cursos de captação de som, corte de acetatos, galvanoplastia e prensagem. Tem no currículo de engenheiro de som dezenas de gravações.
A - Edita os seus próprios discos?
JCP - No rescaldo da Tecla, criei a Jorsom onde edito coisas minhas, música clássica portuguesa e bandas militares portuguesas. Gravo obras de grandes compositores portugueses que nunca ninguém gravou. Tenho esta mania de preservar as nossas coisas.
A - E o que aconteceu ao espólio da sua editora Tecla?
JCP - Vendi-o Tinha obras importantes de grandes autores. Comecei em 1967, com um disco do João Maria Tudela e outro da Florbela Queiroz. Depois editei a Madalena Iglésias, numa altura em que trabalhava como arranjador para outras editoras. Foi então que fiz os arranjos de um disco para a Philips, com o Carlos do Carmo. Foi o 'Por Morrer uma Andorinha'. Depois ele veio para a Tecla e gravámos 'Gaivota' que ganhou logo um prémio. Seguiu-se o 'Canoas do Tejo'. Na Tecla também gravámos a 'Pedra Filosofal' do Manuel Freire e a 'Tourada' do Fernando Tordo. O Ramiro Valadão não queria nem por nada que a canção fosse ao festival da RTP, mas eu impus a presença do Tordo.
A - Como acabou a Tecla?
JCP - Eu acreditei 100% no 25 de Abril e como era 100% socialista decidi fazer uma fábrica de discos, para não ficarmos nas mãos das multinacionais. Montei a fábrica em Rio de Mouro, em pleno Verão Quente de 1975. Estava tudo a correr bem e em 1976 meti um director comercial na empresa e fui fazer trabalhos para a África do Sul. Quando regressei estava tudo destruído. Paguei as dívidas e acabou-se. Vendi todo o repertório da Tecla.
A - Agora qual é a sua principal actividade?
JCP - Os discos da Jorsom não são comerciais, por isso tenho de trabalhar mais que nunca. Trabalho sobretudo como orquestrador e arranjador e tenho trabalhado com coros amadores. A convite de Joaquim Luís Gomes estou a dirigir a Orquestra Típica Scalabitana. Reorganizei a minha orquestra de jazz e lá vamos indo.
Entrevista Revista Autores (Abril/Junho 2004)
JORSOM
Empresa dedicada à divulgação musical possuindo um estúdio de gravação. Esta empresa tem à sua frente o reputado maestro Jorge Costa Pinto, reconhecido profissional dentro e fora de Portugal. A Jorsom dedica-se também à venda de pianos Baldwin, partituras musicais, CDs Audio, software e livros musicais (entre outros). Consulte o nosso site para obter mais informações.
http://www.jorsom.com.pt
Jorsom Audio Visual, Lda.
Actividades de Gravação de Som e Edição de Música
Concelho: Lisboa
Início de Actividade: 1976
A - Edita os seus próprios discos?
JCP - No rescaldo da Tecla, criei a Jorsom onde edito coisas minhas, música clássica portuguesa e bandas militares portuguesas. Gravo obras de grandes compositores portugueses que nunca ninguém gravou. Tenho esta mania de preservar as nossas coisas.
A - E o que aconteceu ao espólio da sua editora Tecla?
JCP - Vendi-o Tinha obras importantes de grandes autores. Comecei em 1967, com um disco do João Maria Tudela e outro da Florbela Queiroz. Depois editei a Madalena Iglésias, numa altura em que trabalhava como arranjador para outras editoras. Foi então que fiz os arranjos de um disco para a Philips, com o Carlos do Carmo. Foi o 'Por Morrer uma Andorinha'. Depois ele veio para a Tecla e gravámos 'Gaivota' que ganhou logo um prémio. Seguiu-se o 'Canoas do Tejo'. Na Tecla também gravámos a 'Pedra Filosofal' do Manuel Freire e a 'Tourada' do Fernando Tordo. O Ramiro Valadão não queria nem por nada que a canção fosse ao festival da RTP, mas eu impus a presença do Tordo.
A - Como acabou a Tecla?
JCP - Eu acreditei 100% no 25 de Abril e como era 100% socialista decidi fazer uma fábrica de discos, para não ficarmos nas mãos das multinacionais. Montei a fábrica em Rio de Mouro, em pleno Verão Quente de 1975. Estava tudo a correr bem e em 1976 meti um director comercial na empresa e fui fazer trabalhos para a África do Sul. Quando regressei estava tudo destruído. Paguei as dívidas e acabou-se. Vendi todo o repertório da Tecla.
A - Agora qual é a sua principal actividade?
JCP - Os discos da Jorsom não são comerciais, por isso tenho de trabalhar mais que nunca. Trabalho sobretudo como orquestrador e arranjador e tenho trabalhado com coros amadores. A convite de Joaquim Luís Gomes estou a dirigir a Orquestra Típica Scalabitana. Reorganizei a minha orquestra de jazz e lá vamos indo.
Entrevista Revista Autores (Abril/Junho 2004)
JORSOM
Empresa dedicada à divulgação musical possuindo um estúdio de gravação. Esta empresa tem à sua frente o reputado maestro Jorge Costa Pinto, reconhecido profissional dentro e fora de Portugal. A Jorsom dedica-se também à venda de pianos Baldwin, partituras musicais, CDs Audio, software e livros musicais (entre outros). Consulte o nosso site para obter mais informações.
http://www.jorsom.com.pt
Jorsom Audio Visual, Lda.
Actividades de Gravação de Som e Edição de Música
Concelho: Lisboa
Início de Actividade: 1976
domingo, 5 de junho de 2011
Strauss
Strauss ressuscita fundo de catálogo Sassetti
Setecentas fitas «masters», cerca de dez mil títulos, mais uns quantos milhares de partituras impressas. Uma inteira história da música, sobretudo da portuguesa, que estava votada ao pó nos arquivos da Sassetti. Não está mais, porque a Strauss comprou tudo e propõe-se fazer a campanha de reedições mais cuidada de sempre em Portugal. A Strauss comprou, em 1991, o catálogo Sassetti. Seria uma transacção comercial normal, não fora este «pormenor»: a casa Sassetti existia desde 1848 e por lá passaram alguns dos maiores artistas portugueses dos últimos 150 anos.
É um património musical de valor inestimável, uma inteira fatia da história da cultura portuguesa. Mas a Sassetti foi também uma das empresas vítimas do 25 de Abril, altura em que entrou em regime de autogestão que conduziria ao seu colapso comercial. Alguns artistas, como Sérgio Godinho, Fausto e José Mário Branco tomaram depois a iniciativa de recuperar o material que haviam gravado para essa produtora, tendo em vista a sua reedição em CD. Foram, todavia, iniciativas pontuais e o grosso do riquíssimo património da Sassetti ficou bastante votado ao esquecimento ao longo de toda a década de 80.
A Strauss acabou por comprá-lo por uma cifra que o seu sócio-gerente, Armando Martins, não quer quantificar, quando o negócio foi feito segundo um complexo arranjo de passivos e activos. Armando Martins nem sequer sabia ao certo o que estava a comprar e ficou bastante surpreendido quando foi informado de que, para além das fitas gravadas, era também proprietário de um dos maiores, talvez o maior, espólio de música impressa de Portugal. Agora estas pilhas de partituras, algumas das quais estiveram para ser queimadas à falta de lugar para as guardar, irão voltar a ver a luz do dia, estando prevista a abertura de espaços apropriados à sua venda, nas lojas Strauss.
A disponibilidade do espaço de venda é, de resto, uma das grandes razões que levou Armando Martins a adquirir a herança Sassetti.
Profissional do ramo há 25 anos, tem hoje uma cadeia de lojas de produto acabado, conferindo-lhe ramos de canalização e a possibilidade de relançar um catálogo que estava quase condenado. Quando comprou, no entanto, foi com outras preocupações que a do lucro imediato. De algum modo, o que ele queria era ter aquilo, e até comentou que não se importava de o levar para a tumba. Claro que a ideia não era bem essa, mas que para reeditar mal era preferível não reeditar.
A sua preocupação passou então a ser a de encontrar o homem certo para o trabalho, alguém com suficiente conhecimento e o gosto pelo catálogo Sassetti para o fazer devidamente ressuscitar. Os seus contactos levaram-no então até Hermenegildo Gomes, profissional de rádio há 31 anos, actualmente aos microfones da RDP. Hermenegildo era, para usar as suas próprias palavras, um dos eleitos da Sassetti, uma visita obrigatória sempre que um disco se lançava nessa companhia, mesmo depois do 25 de Abril. Está agora e de há um ano a esta parte a retrabalhar o seu património, secundado pelo músico Carlos Dâmaso, sobre quem recai a tarefa de recuperação e reprocessamento digital das fitas. Têm muito trabalho pela frente. Não será tudo para relançar em CD, mas, segundo estima Armando Martins, o catálogo Sassetti inclui qualquer coisa como 700 fitas «masters», totalizando cerca de dez mil títulos.
A filosofia dos relançamentos em CD, já posta em prática nos títulos lançados de Manuel Freire e José Afonso, é que os discos venham acompanhados de notas biográficas e de contextualização histórica dos registos originais. É uma excepção à regra das reedições geralmente descuidadas que domina o mercado da nossa nostalgia, como não é menos inusitado o princípio de contactar os artistas que rubricaram essas gravações, antes de transpor para CD. Como se sabe, a maior parte dos contratos estabelecidos entre os artistas e as produtoras fonográficas em Portugal, sobretudo antes dos meados dos anos 80, não previam a hipótese da sua renegociação em caso de reedição. Daí decorre que, na maior parte dos casos, os artistas em causa, sendo só intérpretes, ou não auferindo de direitos de autor, vêem hoje os seus trabalhos reeditados sem receberem por isso qualquer contrapartida monetária. Como nos confiou Hermenegildo Gomes, se certos artistas Sassetti recebessem segundo a tabela de antigamente, teriam hoje direito a qualquer coisa como 19 escudos por reedição. Daí a estratégia da Strauss de renegociar com os artistas, propondo nomeadamente a actual regravação de temas antigos e a sua inclusão nas reedições deste últimos, como já aconteceu com Manuel Freire e «Pedra Filosofal». Outra táctica consiste em estabelecer novos contratos com artistas que fizeram carreira na Sassetti para o efeito de lançamentos de discos de inéditos, e é assim que esta semana surge na Strauss «Cantos D'Antiga Idade», de Pedro Barroso.
Luís Maio, PUBLICO, 15/02/1994
A Strauss detinha o catálogo das extintas Sassetti e Zip-Zip. Em 2003 foi adquirida pela CNM.
Setecentas fitas «masters», cerca de dez mil títulos, mais uns quantos milhares de partituras impressas. Uma inteira história da música, sobretudo da portuguesa, que estava votada ao pó nos arquivos da Sassetti. Não está mais, porque a Strauss comprou tudo e propõe-se fazer a campanha de reedições mais cuidada de sempre em Portugal. A Strauss comprou, em 1991, o catálogo Sassetti. Seria uma transacção comercial normal, não fora este «pormenor»: a casa Sassetti existia desde 1848 e por lá passaram alguns dos maiores artistas portugueses dos últimos 150 anos.
É um património musical de valor inestimável, uma inteira fatia da história da cultura portuguesa. Mas a Sassetti foi também uma das empresas vítimas do 25 de Abril, altura em que entrou em regime de autogestão que conduziria ao seu colapso comercial. Alguns artistas, como Sérgio Godinho, Fausto e José Mário Branco tomaram depois a iniciativa de recuperar o material que haviam gravado para essa produtora, tendo em vista a sua reedição em CD. Foram, todavia, iniciativas pontuais e o grosso do riquíssimo património da Sassetti ficou bastante votado ao esquecimento ao longo de toda a década de 80.
A Strauss acabou por comprá-lo por uma cifra que o seu sócio-gerente, Armando Martins, não quer quantificar, quando o negócio foi feito segundo um complexo arranjo de passivos e activos. Armando Martins nem sequer sabia ao certo o que estava a comprar e ficou bastante surpreendido quando foi informado de que, para além das fitas gravadas, era também proprietário de um dos maiores, talvez o maior, espólio de música impressa de Portugal. Agora estas pilhas de partituras, algumas das quais estiveram para ser queimadas à falta de lugar para as guardar, irão voltar a ver a luz do dia, estando prevista a abertura de espaços apropriados à sua venda, nas lojas Strauss.
A disponibilidade do espaço de venda é, de resto, uma das grandes razões que levou Armando Martins a adquirir a herança Sassetti.
Profissional do ramo há 25 anos, tem hoje uma cadeia de lojas de produto acabado, conferindo-lhe ramos de canalização e a possibilidade de relançar um catálogo que estava quase condenado. Quando comprou, no entanto, foi com outras preocupações que a do lucro imediato. De algum modo, o que ele queria era ter aquilo, e até comentou que não se importava de o levar para a tumba. Claro que a ideia não era bem essa, mas que para reeditar mal era preferível não reeditar.
A sua preocupação passou então a ser a de encontrar o homem certo para o trabalho, alguém com suficiente conhecimento e o gosto pelo catálogo Sassetti para o fazer devidamente ressuscitar. Os seus contactos levaram-no então até Hermenegildo Gomes, profissional de rádio há 31 anos, actualmente aos microfones da RDP. Hermenegildo era, para usar as suas próprias palavras, um dos eleitos da Sassetti, uma visita obrigatória sempre que um disco se lançava nessa companhia, mesmo depois do 25 de Abril. Está agora e de há um ano a esta parte a retrabalhar o seu património, secundado pelo músico Carlos Dâmaso, sobre quem recai a tarefa de recuperação e reprocessamento digital das fitas. Têm muito trabalho pela frente. Não será tudo para relançar em CD, mas, segundo estima Armando Martins, o catálogo Sassetti inclui qualquer coisa como 700 fitas «masters», totalizando cerca de dez mil títulos.
A filosofia dos relançamentos em CD, já posta em prática nos títulos lançados de Manuel Freire e José Afonso, é que os discos venham acompanhados de notas biográficas e de contextualização histórica dos registos originais. É uma excepção à regra das reedições geralmente descuidadas que domina o mercado da nossa nostalgia, como não é menos inusitado o princípio de contactar os artistas que rubricaram essas gravações, antes de transpor para CD. Como se sabe, a maior parte dos contratos estabelecidos entre os artistas e as produtoras fonográficas em Portugal, sobretudo antes dos meados dos anos 80, não previam a hipótese da sua renegociação em caso de reedição. Daí decorre que, na maior parte dos casos, os artistas em causa, sendo só intérpretes, ou não auferindo de direitos de autor, vêem hoje os seus trabalhos reeditados sem receberem por isso qualquer contrapartida monetária. Como nos confiou Hermenegildo Gomes, se certos artistas Sassetti recebessem segundo a tabela de antigamente, teriam hoje direito a qualquer coisa como 19 escudos por reedição. Daí a estratégia da Strauss de renegociar com os artistas, propondo nomeadamente a actual regravação de temas antigos e a sua inclusão nas reedições deste últimos, como já aconteceu com Manuel Freire e «Pedra Filosofal». Outra táctica consiste em estabelecer novos contratos com artistas que fizeram carreira na Sassetti para o efeito de lançamentos de discos de inéditos, e é assim que esta semana surge na Strauss «Cantos D'Antiga Idade», de Pedro Barroso.
Luís Maio, PUBLICO, 15/02/1994
A Strauss detinha o catálogo das extintas Sassetti e Zip-Zip. Em 2003 foi adquirida pela CNM.
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Sassetti
TV- Disco falado Uma redacção muito especial
Tudo mudara, de repente, e nós com tanta coisa para gravar, para dizer, e sem antena para o divulgar. Para ser mais rigoroso: sem atinar ainda com a forma como nos haveríamos de situar na ordem radiofónica emergente. Só assim se poderá entender, à distância de 20 anos, como foi possível esta bizarra opção por nos organizarmos em mini-redacção com a tarefa de registar em disco algumas das transformações que a revolta do Movimento dos Capitães anunciava. O lógico seria, naturalmente, mergulhar no afã jornalístico das novas redacções, libertas enfim do olhar prévio dos censores governamentais, e para elas canalizar todas as reportagens efectuadas. Foi isso que começámos por fazer, naquele início de Verão de 1974. Num ápice, porém, a Emissora Nacional, estação oficial desde 1935, passou de porta-voz do regime de Salazar e Caetano para porta-voz dos militares e de comunistas e socialistas, as duas grandes forças que de imediato se posicionaram nos lugares-chave da empresa. No Rádio Clube Português (RCP) -- transformado por exigência do plano de operações de Otelo Saraiva de Carvalho e companheiros no «Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas» --, eram os militares e a Assembleia Geral de Trabalhadores quem definia as prioridades. Enquanto isto, na Rádio Renascença -- o espaço jornalístico radiofónico mais «liberal» no período marcelista mas onde a montagem das nove horas de gravação dos acontecimentos militares do dia 25 de Abril só pôde passar dois dias depois -- multiplicavam-se os confrontos entre administração e trabalhadores e destes entre si. Compreende-se, num tal panorama político-profissional, que as três emissoras tenham virado a sua atenção, quase em exclusivo, para o terreno institucional e para a cobertura exaustiva de plenários, ocupações, conferências de imprensa, e que esse facto as levasse a distraírem-se demasiado com o lado «événementiel» (e portanto conjuntural apenas), do que se passava no continente e nas colónias.
Juntemos a estas vicissitudes próprias do pós-25 de Abril a existência, na Sassetti, de uma prestigiada colecção de Disco Falado em cujo catálogo figuravam não apenas os inevitáveis discos de poesia, como também gravações de textos em prosa e, até, de uma mesa-redonda -- eis as razões pelas quais um pequeno grupo de homens da rádio resolveu dedicar-se, em paralelo à sua actividade profissional, a um trabalho de registo, em vinil, do «Diário da Revolução».
Adelino Gomes, Público, 15/02/1994
Não surgiram no local outros meios de captação de som até ao final da tarde, o que me proporcionou o privilégio de ter podido obter sete horas de documentos sonoros da Revolução doa Cravos, que mais tarde montei num condensado de cerca de duas e meia que cedi à Rádio Renascença para difusão na noite de 26 e madrugada de 27, sob a condição de nada ser alterado, truncado ou eliminado - o que a RR respeitou.
Durante essa transmissão, fui contactado telefonicamente pelo Dr. Alberto Ferreira, director da Divisão do Disco Falado da editora Sassetti, que me propôs a edição da reportagem em disco documental. Pus-lhe as mesmas condições a que obrigara a Rádio Renascença, que aceitou e respeitou também, constituindo a montagem final que fiz sobre os acontecimentos aquilo que entendi estar deontologicamente correcto e respeitar a verdade.
Assim nasceu o disco "O dia 25 de Abril - Diário da Revolução 1974", cujo direito de edição cedi à Sassetti para uma tiragem de 2.500 exemplares, por acordo a chegarem a público com um preço inferior a 180$00, de modo a que fossem acessíveis a todas as camadas de público.
Este é um dos trabalhos de que mais me orgulho de toda a minha carreira como jornalista, sinto-me feliz por poder ter estado no centro dos acontecimentos em data tão significativa, ter encontrado as parcerias que tanto valorizaram o trabalho e ter podido garantir ao património histórico do país um relato dos acontecimentos vivido no local e no momento em que
aconteceram.
Pedro Laranjeira
Entrevistas a nomes como Vasco Santana, Jaime Cortesão, José Gomes Ferreira,
Tudo mudara, de repente, e nós com tanta coisa para gravar, para dizer, e sem antena para o divulgar. Para ser mais rigoroso: sem atinar ainda com a forma como nos haveríamos de situar na ordem radiofónica emergente. Só assim se poderá entender, à distância de 20 anos, como foi possível esta bizarra opção por nos organizarmos em mini-redacção com a tarefa de registar em disco algumas das transformações que a revolta do Movimento dos Capitães anunciava. O lógico seria, naturalmente, mergulhar no afã jornalístico das novas redacções, libertas enfim do olhar prévio dos censores governamentais, e para elas canalizar todas as reportagens efectuadas. Foi isso que começámos por fazer, naquele início de Verão de 1974. Num ápice, porém, a Emissora Nacional, estação oficial desde 1935, passou de porta-voz do regime de Salazar e Caetano para porta-voz dos militares e de comunistas e socialistas, as duas grandes forças que de imediato se posicionaram nos lugares-chave da empresa. No Rádio Clube Português (RCP) -- transformado por exigência do plano de operações de Otelo Saraiva de Carvalho e companheiros no «Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas» --, eram os militares e a Assembleia Geral de Trabalhadores quem definia as prioridades. Enquanto isto, na Rádio Renascença -- o espaço jornalístico radiofónico mais «liberal» no período marcelista mas onde a montagem das nove horas de gravação dos acontecimentos militares do dia 25 de Abril só pôde passar dois dias depois -- multiplicavam-se os confrontos entre administração e trabalhadores e destes entre si. Compreende-se, num tal panorama político-profissional, que as três emissoras tenham virado a sua atenção, quase em exclusivo, para o terreno institucional e para a cobertura exaustiva de plenários, ocupações, conferências de imprensa, e que esse facto as levasse a distraírem-se demasiado com o lado «événementiel» (e portanto conjuntural apenas), do que se passava no continente e nas colónias.
Juntemos a estas vicissitudes próprias do pós-25 de Abril a existência, na Sassetti, de uma prestigiada colecção de Disco Falado em cujo catálogo figuravam não apenas os inevitáveis discos de poesia, como também gravações de textos em prosa e, até, de uma mesa-redonda -- eis as razões pelas quais um pequeno grupo de homens da rádio resolveu dedicar-se, em paralelo à sua actividade profissional, a um trabalho de registo, em vinil, do «Diário da Revolução».
Adelino Gomes, Público, 15/02/1994
Não surgiram no local outros meios de captação de som até ao final da tarde, o que me proporcionou o privilégio de ter podido obter sete horas de documentos sonoros da Revolução doa Cravos, que mais tarde montei num condensado de cerca de duas e meia que cedi à Rádio Renascença para difusão na noite de 26 e madrugada de 27, sob a condição de nada ser alterado, truncado ou eliminado - o que a RR respeitou.
Durante essa transmissão, fui contactado telefonicamente pelo Dr. Alberto Ferreira, director da Divisão do Disco Falado da editora Sassetti, que me propôs a edição da reportagem em disco documental. Pus-lhe as mesmas condições a que obrigara a Rádio Renascença, que aceitou e respeitou também, constituindo a montagem final que fiz sobre os acontecimentos aquilo que entendi estar deontologicamente correcto e respeitar a verdade.
Assim nasceu o disco "O dia 25 de Abril - Diário da Revolução 1974", cujo direito de edição cedi à Sassetti para uma tiragem de 2.500 exemplares, por acordo a chegarem a público com um preço inferior a 180$00, de modo a que fossem acessíveis a todas as camadas de público.
Este é um dos trabalhos de que mais me orgulho de toda a minha carreira como jornalista, sinto-me feliz por poder ter estado no centro dos acontecimentos em data tão significativa, ter encontrado as parcerias que tanto valorizaram o trabalho e ter podido garantir ao património histórico do país um relato dos acontecimentos vivido no local e no momento em que
aconteceram.
Pedro Laranjeira
Entrevistas a nomes como Vasco Santana, Jaime Cortesão, José Gomes Ferreira,
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